vocês sabem que estou ali, não sabem?
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Liber conformitatum
Estimo um milhão de vezes mais falar da diferença de tom entre meu braço e meu antebraço – disse que não posso com sol – do que comentar sobre a economia norte-amercana. Tópicos que atinjam diretamente vida de pessoas não me interessam, bem como não me interessa tratá-los.
Um cavalheiro, mes braves, deve antes de tudo evitar lágrimas sentimentais. Se por um lado há a inconveniência de se ser homem – digo no sentido amplo ou, devo dizer, bíblico – e correr o risco de se emocionar (compaixão é o que quero dizer) com, digamos, reportagens sobre pessoas que habitam espaços sob viadutos, como uma a que assisti por esses dias, há, por outro lado, a possibilidade de calar a tevê e pegar na estante próxima qualquer livro que não um de auto-amparo e aquietar-se. Ademais, todo gênero de insurreição carrega em si o ônus da deselegância.
Claro, sempre há o feito dito religioso ao qual pagãos recorrem tão constantemente: a oração. A beleza de desejar bem a outrem não está em supostas conseqüências do ato, mas no ato, bem como patinar não é divertido porque me poderia levar a algum lugar, mas, antes, pelo fato de eu estar a deslizar por aí, a esmo, mesmo.
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Edson Junior
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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
nota
uma vez mais o breviário está fora do ar, e também fora da terra. não tive tempo de checar os oceanos, sorry. uma hora ele volta. au revoir.
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
Nassif vs. Veja (Cora Rónai)
Como a internet inteira já sabe, Luiz Nassif está fazendo uma série de acusações contra a Veja. Não sei o que a motiva; afinal, como ele mesmo diz a meu respeito, esses "são temas intrincados, e ela não domina essa área".
É verdade.
O Nassif está metido em jornalismo de cachorro grande e eu, como é público e notório, só escrevo sobre gato.
Ele há de ter suas razões, imperceptíveis à minha ingenuidade.
De modo geral, discordo da sua posição política, o que não há de ser surpresa para quem lê o que eu escrevo e lê o que ele escreve, se é que há quem se inclua em categorias tão díspares.
Mas isso é secundário, como é secundário o fato de, pessoalmente, nós termos respeito e simpatia um pelo outro. O que importa, aqui, é que a Veja decidiu processá-lo.
Péssima decisão!
A imprensa está vivendo um momento delicado, com processos de sobra movidos por terceiros. Para ficar apenas no exemplo mais recente, aí está a igreja universal do reino de deus disparando uma série de processos sobre a Elvira Lobato, através dos seus fiéis, no nítido intuito de silenciá-la.
Temos, além disso, um governo hostil ao "contraditório" (como eles gostam de dizer), louco para cercear a liberdade de imprensa.
Enfim: tudo o que não precisamos, agora, é que jornalistas fiquem se processando uns aos outros.
Já nem falo da trabalheira paralisante que dá um processo no Brasil. A parte econômica é pior. Se alguém quiser me mandar pra cadeia por alguma coisa que eu tenha escrito ou venha a escrever, vou me aborrecer, mas não vou entrar em desespero; ora, se até o Pimenta Neves continua solto...
Mas, vá lá, digamos que a Justiça seja dura comigo, que não tenho as costas quentes daquele assassino, e me mande mesmo pro xilindró. Eu vou. Alguém fica aqui em casa tomando conta dos gatos, o tempo passa, um dia eu saio e, podem apostar, volto a escrever o que quer que tenha me mandado pra lá em primeiro lugar.
Se em vez disso, porém, alguém me pedir indenização, estou frita, porque, à exceção de vender o apartamento, que é o único bem que possuo, não tenho de onde tirar dinheiro. E aí é bastante muito provável que eu meta a viola no saco, porque, entre outras coisas, com esse joelho quebrado fica difícil vender chiclete no sinal.
A lei, em suma, pode ser uma das formas de censura mais eficazes.
Por isso sou tão radicalmente contra qualquer processo movido contra jornalistas.
A Veja alega que responder à altura seria dar muita bola ao Nassif. Não dá pra negar que é um bom argumento,tanto que eu mesma o utilizo na área de comentários do blog. Pensando desapaixonadamente, se é que isso é possível no clima de Fla x Flu que domina o caso, por que é que, nas suas páginas, você vai abrir espaço para quem diz as piores coisas a seu respeito?
O Nassif -- que, ao contrário de mim, não tem nada de ingênuo -- não comprou briga com a Veja achando que ia ficar por isso mesmo. A essa altura, marcou pontos com todo mundo que ama o governo e/ou odeia a Veja e, de quebra, se pôs no centro das atenções dos colegas.
Não é pouca coisa.
Também pôs a Veja numa situação delicada. Ou ela rebate as acusações e, conseqüentemente, amplia a sua voz, ou o processa, dando chance a seus detratores de apontá-la como censora.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Tenho certeza que, por trás dissso tudo, há muito mais coisa do que sonha a minha ingênua filosofia; esses são temas intrincados, e eu não domino essa área.
Mas, independentemente de qualquer coisa que me escape, sustento: jornalista não processa jornalista.
Essa frase é, aliás, do meu amigo Diogo Mainardi, que tem sido um dos alvos do Nassif (que, por sua vez, já foi alvo do Diogo).
Em suma: quem é mídia ou tem espaço na mídia, e se sentir ofendido com o que foi escrito a seu respeito, que vá pro computador e responda na mesma moeda.
Processar jornalista é coisa pra igreja universal do reino de deus ou pro PT (pensando bem, dá na mesma).
E pronto, chega, vou arrumar livros.
Estou cansada desse mundo sórdido em que estamos vivendo.
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
cinco dias
A fonética do “foda-se” é muito melhor que a do “caralho”, principalmente aquele “fô” inicial. Não há nada mais irritante do que a abreviatura (muito comum na escrita dos jovens de hoje) da-se (ou dasse). Não sei se julgam que parecem “bem educados” por omitirem a sílaba tónica, mas quem tira o “fô” ao “foda-se” tira-lhe tudo. É um “foda-se” que broxou. Nem sequer é um coito interrompido: a foda nem começou. A alternativa fónix, tão do agrado de Luís Nazaré, é um bocadinho melhor, mas não há nada que chegue a um fooooooda-se, com o “ô” bem prolongado. Ou então um “que se foda”. Este último é o mais indicado para a pronúncia brasileira: quissifoda! Lindo, não é? Na foda, como na língua portuguesa, os brasileiros têm sempre razão. Bom Carnaval para todos. Fodam muito e em segurança.Daqui.
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
you know you're right
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
Cthulhu
**
Antes de sair de casa hoje pela manhã o que fiz foi pôr na mochila uma calça jeans e um par de tênis all star. O plano é sair daqui hoje às 18h e parar numa pizzaria, eu e ela. Quanto mais eu olho no espelho mais cresce o asco pela minha imagem neste social ridículo que é este uniforme. Ok que é um uniforme vulgar, comum: calça preta, blusa azul, sem gravata. Mas é que eu sou chato mesmo. Ontem terminei a leitura de Na Praia e, vá lá, é bom. Hoje retorno a Chesterton (Ortodoxia) e cá estou a imprimir bem agora uns contos do Lovecraft:
“A coisa mais misericordiosa do mundo, creio eu, é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a negros mares de infinito, e não está escrito pela Providência que devemos viajar longe. As ciências, cada uma progredindo em sua própria direção, têm até agora nos causado pouco dano; mas um dia a junção do conhecimento dissociado abrirá visões tão terríveis da realidade e de nossa apavorante situação nela, que provavelmente ficaremos loucos por causa dessa revelação ou fugiremos dessa luz mortal rumo à paz e à segurança de uma nova Idade das Trevas.”
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Se for bater em alguém, faça-o educadamente, pelo amor de Deus.
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Atonement
JAMES MCAVOY: Hi, K.
KEIRA KNIGHTLEY: Hi, J.
JAMES: Can I ask you something?
KEIRA: Of course.
JAMES: We were hot in Atonement, right?
KEIRA: Completely. Hot + WWII + English = SUPER HOT.
JAMES: I thought I remembered it right. So...?
KEIRA: Like we're in some kind of simultaneously post-modern and low-rent version of Grease. I know.
JAMES: It's terrible. Also, are those your....?
KEIRA: Knickers? So it seems.
JAMES: But we're so attractive and good in the movie. Why would they do this to us?
KEIRA: Oh, honey. You haven't even seen the worst of it.
JAMES: How is that possible? Do they have an outtake in which I am drooling?
KEIRA: Turn the magazine over.
KEIRA: I know.
JAMES: Oh my god.
KEIRA: I know.
JAMES: Is that a denim bra ?
KEIRA: Yep.
JAMES: Did you actually agree to wear this?
KEIRA: It appears I did.
JAMES: But you seem....
KEIRA: Smarter than that?
JAMES: Well....yes.
KEIRA: Someone at the magazine told me the epaulets make me look like Cate Blanchett.
JAMES: That doesn't even make any sense.
KEIRA: I know that. Now.
JAMES: Well. If it helps, I feel way better about myself now.
KEIRA: Yeah. Thanks.
JAMES: I still think you're pretty.
KEIRA: I don't want to talk anymore.
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
blowin' in the wind
How many roads must a man walk down Before you call him a man? Yes, 'n' how many seas must a white dove sail Before she sleeps in the sand? Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly Before they're forever banned? The answer, my friend, is blowin' in the wind, The answer is blowin' in the wind. How many times must a man look up Before he can see the sky? Yes, 'n' how many ears must one man have Before he can hear people cry? Yes, 'n' how many deaths will it take till he knowsThat too many people have died? The answer, my friend, is blowin' in the wind,The answer is blowin' in the wind. How many years can a mountain exist Before it's washed to the sea?Yes, 'n' how many years can some people exist Before they're allowed to be free?Yes, 'n' how many times can a man turn his head, Pretending he just doesn't see? The answer, my friend, is blowin' in the wind,The answer is blowin' in the wind.
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Sábado, 12 de Janeiro de 2008
quem em sã consciência consegue tomar esse campari?
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
patafísica
Pus ali no cantinho da sala o existencialismo para poder ter um dia de desporto. Não estou aqui a trabalho, só vim mesmo por hábito, esse hábito um tanto besta de acordar cedo para cumprir as obrigações do cercamento.Antes da 8h ocupei lugar em uma das cadeiras da recepção do edifício e abri, na falta de algo melhor ao alcance das mãos, a última edição do Jornal do Advogado (todo mundo sabe que trabalho na Ordem, certo?). Passo por uma entrevista com o presidente da Comissão de Ensino Jurídico da OAB/ MG cujo nome me fez voltar: Sérgio Sette Câmara. Será irmão do Pedro ou coisa que o valha?
E estreou Reparação, aliás, Desejo e Reparação (BH, Diamond Mall: Sala 2 - 14h10, 16h40, 19h10, 21h40), adaptação para o cinema de Joe Wright do romance Atonement, de Ian McEwan. E, ah: tem a Keira Knightley.
Terminada a leitura de Homem Comum, do Roth, fiquei com uma sensação estranha, como se algo em mim não quisesse aceitar como verdadeiras todas aquelas amarguras narradas no livro. Palavras me faltam por agora. Vamos ao Complexo de Portnoy.
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Ruy Castro: os vilões de sempre
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
keep drawing
Já se vai o tempo em que eu e uns amigos atravessávamos noites em claro desenhando debruçados sobre uma mesa a ouvir Nirvana, Alice in Chains, Bush etc. Início dos 90. Uns bons tempos. Eu era um idealista, lia pouca literatura e muito quadrinho – claro, há os quadrinhos-literatura, mas aqui falo de X-Men, Batman, Superman,Wildcats, Gen 13, umas coisas assim. Meu artista inspirador era um coreano chamado Jim Lee, que desenha ainda hoje para a DC Comics. Eu queria ser como ele. Desenhar como ele. Estudei durante pouco tempo, mas tudo o que sei ainda hoje sobre desenhar HQs eu aprendi junto com os amigos de então, nas madrugadas, ao som de grunge. Desnecessário dizer que minhas blusas eram xadrezes e minhas calças jeans tinham buracos na altura dos joelhos.Certa feita, num momento de pueril inspiração, criamos uma “editora”, a Sky Comics. A sede era na garagem da minha casa. Pusemos lá umas mesas e ficou combinado que cada um de nós (éramos uns seis ou sete membros, dentre “desenhistas”, “coloristas”, “argumentistas” e “roteiristas”) levaria suas revistas para compor o acervo. Como ninguém precisava se preocupar com trabalho e nossa única ocupação era a escola (ensino fundamental, acho), encontrávamo-nos quase que diariamente para desenhar. Os “trabalhos” que encontrávamos eram: ilustrar parede de bar, ilustrar trabalhos escolares, criar logomarca de padaria etc. Eu me esbaldava com o negócio. Quando a editora se dissolveu, em poucos meses, herdei todas as revistas.
Os amigos começaram todos a trabalhar; eu comecei muito tarde. Ainda desenhei por muito tempo, mas nunca profissionalmente. Um dia, na escola na qual estudava, peguei para ler, voluntariamente, um tal Dom Casmurro. Depois, Quincas Borba. Esses novos livros trouxeram novos amigos, que trouxeram outros livros. E hoje, depois de incontáveis livros, após as cadeiras de faculdade, eu sou muito mais cético do que idealista, mais enfadado do que inspirado. Ainda gosto de quadrinhos (Preacher, Sandman, Transmetropolitan), contudo desenhar tornou-se atividade rara, quase impossível. É o trade-off da intelectualização.
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Por que uns lêem prosa e outros lêem poesia
O leitor de poesia é um corredor de 100 metros rasos; o leitor de prosa é
um maratonista.
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
cowbe
De tempos em tempos me acomete uma vontade de reler algo ou, no caso de séries, assistir mais uma vez. Por esses dias mesmo li por aí alguém a comentar sobre Cowboy Bebop, que é para mim um dos melhores animes ever. Já assisti ao negócio pelo menos umas quatro vezes, ainda na época do vhs. Outro dia, através de um primo, fiquei sabendo de um sítio aqui ao centro de Bh onde eu poderia encontrar os dvds, e acabo de voltar de lá. Lugar muito mal freqüentado, cognominado shopping popular, onde se encontra quase tudo por preço abaixo da média (os vendedores são isentos de impostos). Quanto mais eu me aproximava maior o meu receio de ser assaltado, tantas são as pessoas estranhas que se vê às voltas do lugar. Que preconceito o meu, que papelão – se bem que é muito mais fácil pensar “são trabalhadores honestos” quando se está bem longe e a salvo.
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Edson Junior
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11:43
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
deduce
Ontem pela manhã passei numa banca para comprar um jornal. Peguei O Globo e resmunguei que o folhetim estava fino demais, ao que o senhor da banca disse “é o feriado”. Essa gente sabe das coisas.
Estou a ler Chesterton, como já disse, e neste momento não faço a menor idéia de qual será a minha próxima leitura. Esperam-me na estante D.H. Lawrence, Flaubert, Dostoiévski etc. Estou curioso para ler Philip Roth, mas não tenho nenhum dele à mão.
Minha pequena, que por agora lê Stendhal, morre de dó do Julien Sorel.
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Edson Junior
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