quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

leitoras há

mainardi

"A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: ‘Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem’"

Machado de Assis é Bentinho. Nós somos Capitu. A analogia é simples: nós abastardamos a obra de Machado de Assis. No centenário da morte do escritor, Dom Casmurro e seus outros romances perderam qualquer sinal de paternidade machadiana. Eles parecem gerados por Escobar, o amante de Capitu.

Luiz Fernando Carvalho, diretor da série televisiva Capitu, é o mais perfeito Escobar que surgiu até agora. Seu "Dom Casmurro" tem o nariz de Luiz Fernando Carvalho, tem o sorriso de Luiz Fernando Carvalho, tem a mentalidade de Luiz Fernando Carvalho. Nada nele recorda o "Dom Casmurro" de Machado de Assis, apesar de reproduzir diálogos do romance. Na série, Bentinho aparece estranhamente caracterizado como Dick Vigarista, do desenho animado Corrida Maluca: nas roupas, no bigode, na magreza, no temperamento e, acima de tudo, na canastrice do ator que desempenha seu papel. Qual é o melhor candidato a Muttley? O agregado José Dias.

A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: "Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem". Luiz Fernando Carvalho usa uma linguagem grotesca, afetada, espalhafatosa, cheia de contorcionismos e de malabarismos. Machado de Assis é o oposto. No livro Dom Casmurro, o relato de Bentinho é espantosamente seco e desencantado. Ele narra sua história apenas para combater o tédio: sem drama, sem sentimentalismo, sem teatralidade. Quando Bentinho descobre que o filho bastardo de Capitu com Escobar morreu de febre tifóide, ele comenta simplesmente: "Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro".

Luiz Fernando Carvalho só foi autenticamente machadiano na metalinguagem. A atriz que interpreta Capitu está grávida de se-te meses. Quando um repórter lhe perguntou se o pai do menino era Luiz Fernando Carvalho – o Escobar de Jacarepaguá –, ela se recusou a responder, limitando-se a declarar, como uma Capitu do funcionalismo público: "Não vou dizer a identidade e o CPF dele".

A literatura brasileira tem um escritor. Um só. O que fizemos com ele, nos últimos cinqüenta anos, foi traí-lo com todos os Escobar que apareceram. Desde que Helen Caldwell, em 1960, negou o adultério de Capitu, moldando Dom Casmurro às suas teorias feministas, Machado de Assis foi raptado pela crítica esquerdista. Em particular, por John Gledson e Roberto Schwarz, que o transformaram ridiculamente num agente da luta de classes, empenhado em denunciar os abusos da classe dominante. Na realidade, Machado de Assis é mais complicado do que isso. Ele é um satirista conformista e resignado, que zomba da mesquinhez de nossa sociedade e acredita que, quando ela muda, muda sempre para pior. A série Capitu festeja o abastardamento da obra machadiana. Machado de Assis sabe bem: de agora em diante, isso só pode piorar.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

the one

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

cito


"Após capotar com sua lancha de corrida, Jesus rapidamente abandona o local do acidente, antes que o Pai descubra." (daqui)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Tenho passado umas boas horas a me cansar e a me divertir com o Bouvier des Flandres da minha noiva

"Sou belga, mas os franceses andam brigando pela minha nacionalidade. Enjoados."

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

heyjhonny

(escrevendo aqui porque eles, cá da fundação, lêem o sententia): a chatice é o tradeoff da ciência. dá pra entender? ou que tal assim?: cientista é tudo chato.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

vou mudar o nome do blog para blegume



quinta-feira, 13 de novembro de 2008

::

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

epifania

Banda de um amigo que, antes de ser produtor editorial, é guitarrista da Epifania:
Pra me ver do seu lado - Epifania

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

something like that

domingo, 26 de outubro de 2008

ahn

Aqui em Bh a coisa mais legal das eleções para a prefeitura é a imitação que Tom Cavalcante fez do idiota do Quintão. Escrevi também esse post aqui dia desses, já desatualizado como o diabo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

http://breviario.org/sententia/

quarta-feira, 25 de junho de 2008

arpeggi

In the deepest ocean
at the bottom of the sea
your eyes
they turn me
why should i stay here?
why should i stay?
i'd be crazy not to follow
follow where you lead
your eyes
they turn me
sunk without a trace
the bottom of the deep
your eyes
they turn me
turn me into phantoms
i follow to the edge of the earth
and fall off
everybody leaves if they get the chance
and this is my chance
hidden by the waters
we're fishies
looked over by the world
we're fishies
we're planning to escape

segunda-feira, 19 de maio de 2008

vocês sabem que estou ali, não sabem?

quinta-feira, 20 de março de 2008

Liber conformitatum

Escrever – ou tratar, de qualquer forma – de temas médios é atividade invariavelmente aborrecedora (claro está, logo, o desconforto da classe-média) e o mesmo aplica-se a assuntos normalmente tidos como de valor – neste caso não pelo assunto em si mas, antes, pelo denotado trabalho. Isto posto, torna-se fácil explicar a comum preferência por temas menores e, especialmente, este meu hábito de dar relevo a certas pequenices.

Estimo um milhão de vezes mais falar da diferença de tom entre meu braço e meu antebraço – disse que não posso com sol – do que comentar sobre a economia norte-amercana. Tópicos que atinjam diretamente vida de pessoas não me interessam, bem como não me interessa tratá-los.


Um cavalheiro, mes braves, deve antes de tudo evitar lágrimas sentimentais. Se por um lado há a inconveniência de se ser homem – digo no sentido amplo ou, devo dizer, bíblico – e correr o risco de se emocionar (compaixão é o que quero dizer) com, digamos, reportagens sobre pessoas que habitam espaços sob viadutos, como uma a que assisti por esses dias, há, por outro lado, a possibilidade de calar a tevê e pegar na estante próxima qualquer livro que não um de auto-amparo e aquietar-se. Ademais, todo gênero de insurreição carrega em si o ônus da deselegância.


Claro, sempre há o feito dito religioso ao qual pagãos recorrem tão constantemente: a oração. A beleza de desejar bem a outrem não está em supostas conseqüências do ato, mas no ato, bem como patinar não é divertido porque me poderia levar a algum lugar, mas, antes, pelo fato de eu estar a deslizar por aí, a esmo, mesmo.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

ó

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

nota

uma vez mais o breviário está fora do ar, e também fora da terra. não tive tempo de checar os oceanos, sorry. uma hora ele volta. au revoir.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nassif vs. Veja (Cora Rónai)

Como a internet inteira já sabe, Luiz Nassif está fazendo uma série de acusações contra a Veja. Não sei o que a motiva; afinal, como ele mesmo diz a meu respeito, esses "são temas intrincados, e ela não domina essa área".

É verdade.

O Nassif está metido em jornalismo de cachorro grande e eu, como é público e notório, só escrevo sobre gato.

Ele há de ter suas razões, imperceptíveis à minha ingenuidade.

De modo geral, discordo da sua posição política, o que não há de ser surpresa para quem lê o que eu escrevo e lê o que ele escreve, se é que há quem se inclua em categorias tão díspares.

Mas isso é secundário, como é secundário o fato de, pessoalmente, nós termos respeito e simpatia um pelo outro. O que importa, aqui, é que a Veja decidiu processá-lo.

Péssima decisão!

A imprensa está vivendo um momento delicado, com processos de sobra movidos por terceiros. Para ficar apenas no exemplo mais recente, aí está a igreja universal do reino de deus disparando uma série de processos sobre a Elvira Lobato, através dos seus fiéis, no nítido intuito de silenciá-la.

Temos, além disso, um governo hostil ao "contraditório" (como eles gostam de dizer), louco para cercear a liberdade de imprensa.

Enfim: tudo o que não precisamos, agora, é que jornalistas fiquem se processando uns aos outros.

Já nem falo da trabalheira paralisante que dá um processo no Brasil. A parte econômica é pior. Se alguém quiser me mandar pra cadeia por alguma coisa que eu tenha escrito ou venha a escrever, vou me aborrecer, mas não vou entrar em desespero; ora, se até o Pimenta Neves continua solto...

Mas, vá lá, digamos que a Justiça seja dura comigo, que não tenho as costas quentes daquele assassino, e me mande mesmo pro xilindró. Eu vou. Alguém fica aqui em casa tomando conta dos gatos, o tempo passa, um dia eu saio e, podem apostar, volto a escrever o que quer que tenha me mandado pra lá em primeiro lugar.

Se em vez disso, porém, alguém me pedir indenização, estou frita, porque, à exceção de vender o apartamento, que é o único bem que possuo, não tenho de onde tirar dinheiro. E aí é bastante muito provável que eu meta a viola no saco, porque, entre outras coisas, com esse joelho quebrado fica difícil vender chiclete no sinal.

A lei, em suma, pode ser uma das formas de censura mais eficazes.

Por isso sou tão radicalmente contra qualquer processo movido contra jornalistas.

A Veja alega que responder à altura seria dar muita bola ao Nassif. Não dá pra negar que é um bom argumento,tanto que eu mesma o utilizo na área de comentários do blog. Pensando desapaixonadamente, se é que isso é possível no clima de Fla x Flu que domina o caso, por que é que, nas suas páginas, você vai abrir espaço para quem diz as piores coisas a seu respeito?

O Nassif -- que, ao contrário de mim, não tem nada de ingênuo -- não comprou briga com a Veja achando que ia ficar por isso mesmo. A essa altura, marcou pontos com todo mundo que ama o governo e/ou odeia a Veja e, de quebra, se pôs no centro das atenções dos colegas.

Não é pouca coisa.

Também pôs a Veja numa situação delicada. Ou ela rebate as acusações e, conseqüentemente, amplia a sua voz, ou o processa, dando chance a seus detratores de apontá-la como censora.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Tenho certeza que, por trás dissso tudo, há muito mais coisa do que sonha a minha ingênua filosofia; esses são temas intrincados, e eu não domino essa área.

Mas, independentemente de qualquer coisa que me escape, sustento: jornalista não processa jornalista.

Essa frase é, aliás, do meu amigo Diogo Mainardi, que tem sido um dos alvos do Nassif (que, por sua vez, já foi alvo do Diogo).

Em suma: quem é mídia ou tem espaço na mídia, e se sentir ofendido com o que foi escrito a seu respeito, que vá pro computador e responda na mesma moeda.

Processar jornalista é coisa pra igreja universal do reino de deus ou pro PT (pensando bem, dá na mesma).

E pronto, chega, vou arrumar livros.

Estou cansada desse mundo sórdido em que estamos vivendo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

cinco dias

A fonética do “foda-se” é muito melhor que a do “caralho”, principalmente aquele “fô” inicial. Não há nada mais irritante do que a abreviatura (muito comum na escrita dos jovens de hoje) da-se (ou dasse). Não sei se julgam que parecem “bem educados” por omitirem a sílaba tónica, mas quem tira o “fô” ao “foda-se” tira-lhe tudo. É um “foda-se” que broxou. Nem sequer é um coito interrompido: a foda nem começou. A alternativa fónix, tão do agrado de Luís Nazaré, é um bocadinho melhor, mas não há nada que chegue a um fooooooda-se, com o “ô” bem prolongado. Ou então um “que se foda”. Este último é o mais indicado para a pronúncia brasileira: quissifoda! Lindo, não é? Na foda, como na língua portuguesa, os brasileiros têm sempre razão. Bom Carnaval para todos. Fodam muito e em segurança.

Daqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

you know you're right


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Estou no escritório.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

sexta


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cthulhu

Meu problema com a poesia é achar que estrela, lua e sol são coisas de astrônomo.

**

Antes de sair de casa hoje pela manhã o que fiz foi pôr na mochila uma calça jeans e um par de tênis all star. O plano é sair daqui hoje às 18h e parar numa pizzaria, eu e ela. Quanto mais eu olho no espelho mais cresce o asco pela minha imagem neste social ridículo que é este uniforme. Ok que é um uniforme vulgar, comum: calça preta, blusa azul, sem gravata. Mas é que eu sou chato mesmo. Ontem terminei a leitura de Na Praia e, vá lá, é bom. Hoje retorno a Chesterton (Ortodoxia) e cá estou a imprimir bem agora uns contos do Lovecraft:

“A coisa mais misericordiosa do mundo, creio eu, é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a negros mares de infinito, e não está escrito pela Providência que devemos viajar longe. As ciências, cada uma progredindo em sua própria direção, têm até agora nos causado pouco dano; mas um dia a junção do conhecimento dissociado abrirá visões tão terríveis da realidade e de nossa apavorante situação nela, que provavelmente ficaremos loucos por causa dessa revelação ou fugiremos dessa luz mortal rumo à paz e à segurança de uma nova Idade das Trevas.”

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Se for bater em alguém, faça-o educadamente, pelo amor de Deus.

Atonement

JAMES MCAVOY: Hi, K.
KEIRA KNIGHTLEY: Hi, J.
JAMES: Can I ask you something?
KEIRA: Of course.
JAMES: We were hot in Atonement, right?
KEIRA: Completely. Hot + WWII + English = SUPER HOT.
JAMES: I thought I remembered it right. So...?
KEIRA: Like we're in some kind of simultaneously post-modern and low-rent version of Grease. I know.
JAMES: It's terrible. Also, are those your....?
KEIRA: Knickers? So it seems.
JAMES: But we're so attractive and good in the movie. Why would they do this to us?
KEIRA: Oh, honey. You haven't even seen the worst of it.
JAMES: How is that possible? Do they have an outtake in which I am drooling?
KEIRA: Turn the magazine over.

JAMES: No offense, but --
KEIRA: I know.
JAMES: Oh my god.
KEIRA: I know.
JAMES: Is that a denim bra ?
KEIRA: Yep.
JAMES: Did you actually agree to wear this?
KEIRA: It appears I did.
JAMES: But you seem....
KEIRA: Smarter than that?
JAMES: Well....yes.
KEIRA: Someone at the magazine told me the epaulets make me look like Cate Blanchett.
JAMES: That doesn't even make any sense.
KEIRA: I know that. Now.
JAMES: Well. If it helps, I feel way better about myself now.
KEIRA: Yeah. Thanks.
JAMES: I still think you're pretty.
KEIRA: I don't want to talk anymore.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

a ler


binaural


blowin' in the wind

How many roads must a man walk down Before you call him a man? Yes, 'n' how many seas must a white dove sail Before she sleeps in the sand? Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly Before they're forever banned? The answer, my friend, is blowin' in the wind, The answer is blowin' in the wind. How many times must a man look up Before he can see the sky? Yes, 'n' how many ears must one man have Before he can hear people cry? Yes, 'n' how many deaths will it take till he knowsThat too many people have died? The answer, my friend, is blowin' in the wind,The answer is blowin' in the wind. How many years can a mountain exist Before it's washed to the sea?Yes, 'n' how many years can some people exist Before they're allowed to be free?Yes, 'n' how many times can a man turn his head, Pretending he just doesn't see? The answer, my friend, is blowin' in the wind,The answer is blowin' in the wind.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

good advice is an egg in the hand.

o pornógrafo