quinta-feira, 20 de março de 2008

Liber conformitatum

Escrever – ou tratar, de qualquer forma – de temas médios é atividade invariavelmente aborrecedora (claro está, logo, o desconforto da classe-média) e o mesmo aplica-se a assuntos normalmente tidos como de valor – neste caso não pelo assunto em si mas, antes, pelo denotado trabalho. Isto posto, torna-se fácil explicar a comum preferência por temas menores e, especialmente, este meu hábito de dar relevo a certas pequenices.

Estimo um milhão de vezes mais falar da diferença de tom entre meu braço e meu antebraço – disse que não posso com sol – do que comentar sobre a economia norte-amercana. Tópicos que atinjam diretamente vida de pessoas não me interessam, bem como não me interessa tratá-los.


Um cavalheiro, mes braves, deve antes de tudo evitar lágrimas sentimentais. Se por um lado há a inconveniência de se ser homem – digo no sentido amplo ou, devo dizer, bíblico – e correr o risco de se emocionar (compaixão é o que quero dizer) com, digamos, reportagens sobre pessoas que habitam espaços sob viadutos, como uma a que assisti por esses dias, há, por outro lado, a possibilidade de calar a tevê e pegar na estante próxima qualquer livro que não um de auto-amparo e aquietar-se. Ademais, todo gênero de insurreição carrega em si o ônus da deselegância.


Claro, sempre há o feito dito religioso ao qual pagãos recorrem tão constantemente: a oração. A beleza de desejar bem a outrem não está em supostas conseqüências do ato, mas no ato, bem como patinar não é divertido porque me poderia levar a algum lugar, mas, antes, pelo fato de eu estar a deslizar por aí, a esmo, mesmo.

o pornógrafo